"[...] o discurso não foge da instabilidade afetiva que nos caracteriza. O discurso não foge dessa tempestade de afetos e de imagens e sensações que caracterizam cada um de nós. [...]" (Mosé, V., 2018)
Então, faça o bom uso das palavras. Se for chegar, venha com intensidade, com respeito, com mansidão. E eu retribuirei a boa medida. E lembre-se: "[...] a linguagem de precisão matemática constrói mundos e sujeitos incompletos[...]" (CPFL, 2018)
No mais...
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quarta-feira, 27 de junho de 2018
segunda-feira, 12 de março de 2018
NOSSA SENHORA DO SILÊNCIO
Às vezes quando, abatido e humilde, a
própria força de sonhar se me desfolha e se me seca, e o meu único
sonho só pode ser o pensar nos meus sonhos. É então que me interrogo
sobre quem tu és, nossa senhora do silêncio, figura que atravessas todas
as minhas visões demoradas de paisagens outras, e de interiores antigos
e de cerimoniais faustosos de silêncio. Visito contigo regiões que são
talvez sonhos teus, terras que são talvez corpos teus de ausência
e desumanidade. Talvez eu não tenha outro sonho senão tu, talvez seja
nos teus olhos, encostando a minha face à tua, que eu lerei essas
paisagens impossíveis, esses tédios falsos, esses sentimentos que
habitam a sombra dos meus cansaços e as grutas dos meus desassossegos.
Eu não sei quem tu és. Que espécie de vida tens? Que modo de ver é o
modo como te vejo? Teu perfil nunca é o mesmo,mas nada muda,eu digo isso
porque eu sei,ainda que não saiba o que sei. Tu não és mulher. Nem
mesmo dentro de mim evocas qualquer coisa que eu possa sentir feminina. É
quando falo de ti,e quando as palavras te chamam fêmea, e as expressões
te contornam de mulher,que eu tenho de te falar com ternura e
amoroso.Ocupas o intervalo dos meus pensamentos,e os interstícios das
minhas sensações, Por isso eu não te penso, nem te sinto.Mas o meus
pensamentos são,hoje vans de te sentir,e os meus sentimentos góticos de
evocar-te.Ah nossa senhora do silêncio,o lua de memórias perdidas, sobre
a negra paisagem do vazio da minha imperfeição, Debruço-me sobre o teu
rosto branco nas águas noturnas do meu desassossego, no meu saber que és
lua.
FERNANDO PESSOA
quarta-feira, 12 de julho de 2017
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Sentimentos

Gosto do seu jeito de olhar, penetrando meu ser.
Gosto do seu sorriso aberto e faceiro.
Gosto dos seus cabelos pretos até o pescoço, pescoço este que gostaria de me perder.
Anseio pelo seu corpo enroscado no meu, onde não saibamos, quando eu começo e você termina.
Seu jeito de falar me fascina. Voz forte e suave, rouca e inebriente e até mesmo quando não estou perto de você lembro de ti, daí meu corpo se desprende da terra, meu coração dispara e me sinto levitar.
Você é tudo que eu quero e preciso e quando tento te esquecer, vem ao meu nariz o seu perfume e na minha cabeça a lembrança do seu rosto forte e expressivo, sua pele clara, alva como as nuvens e novamente lembro de sua voz aos meus ouvidos.
És tudo que sonhei para mim um dia, não vejo nada em minha volta quando estou perto de ti. E quando estou longe tudo me lembra você, só quero te amar e te ter, mas é quase impossível realizar este profundo desejo.
Você não sabe que existo, pelo menos não do jeito que anseio e desejo.
Contento-me apenas com as migalhas de tua amizade. Eu quero te esquecer, mas não consigo, não consigo... Enquanto não posso arrancar-te do meu coração e da minha alma, viverei cada instante da minha sofrida vida, a destruir tuas imagens e desconstruir todo castelo de ilusão, construída sob as areias da praia em frente ao imenso mar, onde tu reinas em absoluto, de forma mais impoluta e soberana, mas aqui fica uma promessa:
– Terra, mar e céus!
– Lua prateada que ilumina a mais linda das noites!
Demolirei esse castelo e não sobrará pedra sobre pedra!
Julio Moreira 06/12/2005
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